“Alguns polÃticos não sabem ainda que há uma directora no Primeiro de Janeiroâ€?
A directora do Jornal “O Primeiro de Janeiro�, Nassalete Miranda, esteve presente no Congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, desta feita no Auditório Municipal de Baião, inserida no debate “Portuguesas no Mundo e a Comunicação Social�
Por Alexandre Carvalho
P. Quem é o culpado do notório desconhecimento que existe por parte da comunicação social nacional sobre as comunidades portuguesas no mundo?
R. Penso que não há culpas só de um lado, mas sim culpas repartidas, ou seja, a comunicação social especificamente portuguesa não tem conhecimento do que se passa nas comunidades, porque também as comunidades não nos transmitem as informações. Não estão criadas as pontes necessárias para isso acontecer. No 10 de Junho, os polÃticos lembram-se das comunidades e depois esquecem-se delas durante todo o ano. Os emigrantes têm um trabalho efectivamente fundamental na expansão da lÃngua portuguesa. Acredito que existe uma falha na comunicação e admito que um maior intercâmbio entre as duas partes só seria benéfico. Eventos como este podem ser uma grande ajuda na resolução destes problemas.
P. Falou em Manuela Aguiar, que é considerada um Ãcone do que é uma portuguesa no mundo. Acha que o papel das mulheres deveria ter mais cobertura noticiosa?
R. Claro que sim. Ainda há muito preconceito e, mais do que isso, muito receio de que as mulheres se apoderem dos lugares [de chefia]. As mulheres apenas querem mostrar que podem desenvolver um trabalho de qualidade tão bom como os homens. Normalmente, os lugares de maior destaque pertencem aos homens e por isso são eles os protagonistas das notÃcias. Quem procura a noticia procura o responsável. Apesar de existirem muitas mulheres com cargos de importância, a verdade é que só se faz notÃcia com a pessoa de maior destaque. Os cargos secundários são deixados para segundo plano.
P. Ontem, neste mesmo congresso, Pedro Tadeu, director do jornal 24 horas, afirmou que o jornal que dirige era um tablóide e que por isso publicava mulheres semi-nuas. Como interpreta este comentário?
R. Eu tive imensa pena de não ter podido participar, terÃamos tido guerra aberta, pois eu acho do menos informativo que pode haver ter notÃcias com mulheres nuas. Existem revistas especificamente para isso. O jornal 24 horas é um jornal onde se pratica uma informação generalista ou mais ligeira, um tipo de informação descartável. É mais do tipo: ler e deitar fora. O maior problema é que as pessoas querem e gostam desse tipo de informação e isso preocupa-me bastante.
Qual a sensação e quais as dificuldades que tem a única directora de um jornal diário em Portugal?
NM – É fascinante, porque as pessoas pensam que vão encontrar uma pessoa loira e estúpida e depois dão-se conta que afinal não é. Tenho um percurso académico e capacidade suficiente para liderar este projecto como qualquer homem. Alguns polÃticos não sabem ainda que há uma directora no Primeiro de Janeiro. Penso até que o senhor secretário de Estado [da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão] que esteve aqui presente é um deles, o que nem sequer me admira, pois acredito que existe ainda um preconceito enorme em relação a este assunto. Sinto-me confortável na minha posição. É uma minoria qualificada, mas uma minoria bem representada. No entanto, existe, sem sombra de dúvida, uma enorme pressão para se chegar à direcção de um jornal.

