Final do porte-pago pode ditar fim de alguns jornais regionais
Hélder Beja
No último dia do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo�, os representantes da imprensa regional expressaram-se contra o final do sistema de porte-pago para a exportação de jornais. A medida pode mesmo ditar o fim de alguns jornais, considera também o director do Diário do Minho.
Para o director do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro Neves, «o final do porte-pago [previsto para o inÃcio do próximo ano] representa uma medida contraditória em relação a outras tomadas por este Governo». «Gostei de ouvir o Secretário de Estado Jorge Lacão falar das responsabilidades do Governo na defesa e divulgação da lÃngua e cultura portuguesas. Pena que esta polÃtica de corte do porte-pago vá no sentido oposto», acrescentou. Segundo o jornalista, a decisão do Executivo «vai reduzir ainda mais o número já escasso de leitores emigrantes» a assinar publicações regionais.
A imprensa regional «pode assumir-se como um serviço público importante ao serviço da lÃngua e cultura portuguesa» junto das comunidades emigrantes. É esta a opinião de Fernando Neves, que fez questão de sublinhar a responsabilidade do Estado em «valorizar o grande fenómeno que é presença portuguesa no mundo».
O director do jornal Diário do Minho, José Miguel Pereira, considera que «o fim do porte-pago é um erro crasso» que pode tornar «inevitável o fim dos jornais regionais».
«A imprensa regional desempenha um papel relevante para a manutenção de laços entre agentes locais e as comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo», referiu o jornalista. Isto porque continua a haver espaço para «um jornalismo de proximidade, tanto geográfica como afectiva».
No painel de esta manha, 19 de Novembro, esteve ainda presente o membro do Semanário Académico (Universidade do Minho), Alexandre Carvalho. O aluno de Comunicação Social e redactor daquela publicação apresentou as directrizes do projecto amador elaborado por estudantes universitários.

