População portuguesa “não tem conhecimento dos seus direitos�
As “Apresentações Temáticas� dominaram a tarde de 18 de Novembro no congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, organizado pela associação Rosa Azul. Temas variados foram sendo abordados, em Baião, por oradores com diferentes percursos profissionais.
Hugo Torres
Igualdade de género
“A maioria da população não tem conhecimento dos seus direitos�, afirmou a representante da Comissão para Igualdade e para os Direitos da Mulher (CIDM), Manuela Marinho. A sensibilização e a informação dos cidadãos é acção essencial para alterar este cenário.
A primeira desigualdade é a que existe entre homens e mulheres, afiançou. A encabeçar um projecto de 13 milhões de euros para a igualdade entre homens e mulheres, Manuela Marinho lembrou o carácter vanguardista da medida 4.4 do POEFDS (4.4.3.1 – Pequena Subvenção às ONGs) em Portugal. Não espera, no entanto, “que aconteça uma revolução�.
Equilibrar os papéis sociais entre homens e mulheres é o principal objectivo da CIDM. Reforçar a capacidade de participação das mulheres nas actividades económica e social e criar postos de trabalho em igualdade são algumas das metas. “O trabalho é uma área estruturante para a igualdade�, realçou.
Terrorismo e os media
A jornalista Andreia Marques Pereira aproveitou o espaço para falar sobre o terrorismo e os media e para expor os resultados da sua tese de mestrado sobre o 11 de Setembro na imprensa portuguesa. Arrancou lembrando que “o terrorismo não é um fenómeno contemporâneo�, mas secular.
Andreia Marques Pereira, que se licenciou na Universidade do Minho e fez mestrado na Universidade de Coimbra, recuperou as palavras do especialista norte-americano Brian Jenkins para prosseguir: “O terrorismo é um teatroâ€?. Pretende captar a atenção dos media e usa a violência pelo seu valor notÃcia. “Qualquer tipo de violência a seres humanos é de interesse públicoâ€?, assinalou. Antes de falar do caso português, declarou que hoje os media “não são só narradores, mas participantesâ€?, e que o papel de selecção dos editores está em jogo.
A jornalista destacou que o 11 de Setembro teve, na imprensa portuguesa, uma cobertura homogénea e a forte componente visual durante a primeira semana. NotÃcias, breves e infografias foram os géneros mais utilizados. Contextualizar e aprofundar os acontecimentos foram os principais objectivos da maior parte dos jornais. Particularizando: o Público e o Diário de NotÃcias deram mais importância à informação para as classes dirigentes e o Expresso, de tom neutro, não mencionou a perspectiva portuguesa.
Portugueses no mundo: Apontamentos de terreno
“Os portugueses que emigram são como os portugueses que moram cá dentro�, isto é, espelham diversidade, assegurou Ana Cristina Pereira, jornalista do Público, que trouxe ao congresso alguns apontamentos de terreno sobre a cobertura da emigração na imprensa generalista portuguesa. E o sucesso dos seus projectos migratórios lê-se na exacta medida dos seus sonhos.
Procurando uma visão mais prática da vida dos emigrantes portugueses, abordou as tendências da cobertura noticiosa e relatou algumas estórias, sobretudo, de mulheres portuguesas emigradas. Sobre os jornais das comunidades, assinalou que podem funcionar como fonte, central de contactos e ponto de suporte em matéria de informação acerca da diáspora.
Visão de fora
O historiador Flávio Borda d’�gua, “agitador� da comunidade portuguesa em Genebra, Suiça, trouxe a visão de um leitor de jornais portugueses residente no estrangeiro. Frisou que “os jornais portugueses têm importância, quer sejam lidos em Portugal ou noutro pais�. São “privilégio e mais-valia� para as populações lusófonas, “sobretudo para os jovens�.
O custo financeiro para se manter informado – e assim manter contacto com o paÃs de origem – torna-se quase incomportável, defendeu. Borda d’Ã?gua explicou que os custos das publicações portuguesas têm uma inflação de cerca de 200% naquela cidade, o que considera “inexplicável e proibitivaâ€?.
A ComUM
O projecto académico ComUM Online foi apresentado pelo aluno de Comunicação Social da Universidade do Minho Victor Ferreira. A exposição e apresentação do portal finalizou a ordem de trabalhos, destacando a importância dos novos suportes para a comunicação social. O COMUM é um oficina para alunos de jornalismo. E permitem-lhe comunicar “para todo o mundo lusofalante�, funcionando especialmente como montra da Universidade do Minho.
