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Arquivo de November, 2006

Sunday, 19 November de 2006

Final do porte-pago pode ditar fim de alguns jornais regionais

Hélder Beja

@Helder Miranda

No último dia do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo�, os representantes da imprensa regional expressaram-se contra o final do sistema de porte-pago para a exportação de jornais. A medida pode mesmo ditar o fim de alguns jornais, considera também o director do Diário do Minho.

Para o director do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro Neves, «o final do porte-pago [previsto para o início do próximo ano] representa uma medida contraditória em relação a outras tomadas por este Governo». «Gostei de ouvir o Secretário de Estado Jorge Lacão falar das responsabilidades do Governo na defesa e divulgação da língua e cultura portuguesas. Pena que esta política de corte do porte-pago vá no sentido oposto», acrescentou. Segundo o jornalista, a decisão do Executivo «vai reduzir ainda mais o número já escasso de leitores emigrantes» a assinar publicações regionais.

A imprensa regional «pode assumir-se como um serviço público importante ao serviço da língua e cultura portuguesa» junto das comunidades emigrantes. É esta a opinião de Fernando Neves, que fez questão de sublinhar a responsabilidade do Estado em «valorizar o grande fenómeno que é presença portuguesa no mundo».

O director do jornal Diário do Minho, José Miguel Pereira, considera que «o fim do porte-pago é um erro crasso» que pode tornar «inevitável o fim dos jornais regionais».

«A imprensa regional desempenha um papel relevante para a manutenção de laços entre agentes locais e as comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo», referiu o jornalista. Isto porque continua a haver espaço para «um jornalismo de proximidade, tanto geográfica como afectiva».

No painel de esta manha, 19 de Novembro, esteve ainda presente o membro do Semanário Académico (Universidade do Minho), Alexandre Carvalho. O aluno de Comunicação Social e redactor daquela publicação apresentou as directrizes do projecto amador elaborado por estudantes universitários.

Sunday, 19 November de 2006

“A salvaguarda dos valores éticos não pode assentar apenas nos ombros dos jornalistas�

Rui Assis Ferreira da Entidade Reguladora para a Comunicação Social critica “promiscuidade� entre ética e direito

Mariana Pinheiro

@Helder Miranda

“A ética nasce de dentro para fora. Nasce dentro da consciência das pessoas�, disse Rui Assis Ferreira, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), relativamente aos excessos cometidos pelos media, em Baião, no dia 18 de Novembro, no debate sobre “Ética e Regulação� do congresso “A comunicação social e os portugueses no mundo�, organizado pela associação Rosa Azul.

“A ERC tem como finalidade autopromover e regular o sector a comunicação social, actuando nas mais diversas áreas�, começou por explicar a docente da Universidade do Minho, Helena Sousa. Esta nova entidade “poderá ser mais forte e ter mais qualidade do que a antiga Alta Autoridade para a Comunicação Social�, a qual “não tinha condições para se impôr�.

Helena Sousa ressalvou ainda a necessidade de compreender “a regulação estatal, como se processa com a pressão externa [sobre os orgãos de comunicação] e como se gere interesses e valores diferentes.� E passou a palavra a Rui Assis Ferreira.

“Liberdade de impresa e liberdade face à imprensa são, hoje, componentes indissociáveis de toda a problematização que se faça em torno do direito à informação, na precisa medida em que remetem para o potencial simultaneamente justiciador e agressor dos media�, defendeu Rui Assis Ferreira, criticando, depois,a tendência de “promiscuidade� entre a deontologia e o direito.

“O exemplo mais paradigmático desta tendência é, decerto, o artigo 14º do Estatuto de Jornalista de 1999 (Lei nº 1/99, de 13 de Janeiro), em que se cristaliza, de modo quase literal, a grande maioria dos comandos vertidos no Código Deontológico aprovado pela classe a 4 de Maio de 1993�, apontou. “Só que assim se revela, também, o principal risco da sobreposição de duas ordens mormativas de diferente natureza e servidos por meios de tutela também distintos�.

Na sua opinião, esta “excessiva confusão entre dois universos que deveriam permanecer separadosâ€? pode ser acentuada pela anunciada revisão do Estatuto do Jornalista, “através da criação das chamadas ‘sanções disciplinares profissionais’â€?. “Trata-se, agora, de qualificar como tal o incumprimento dos deveres profissionais ali previstos e de o sancionar em moldes que podem compreender a aplicação de uma pena pecuniária de cem a dez mil euros, a cargo da Comissão da Carteira Profissional do Jornalistasâ€?, esclareceu.

Para Rui Assis Ferreira, “a salvaguarda dos valores éticos subjacentes ao exercício da liberdade de informação, em toda a dimensão da sua responsabilidade social, não pode assentar apenas nos ombros dos jornalistas, antes deve ser partilhada pelos empresários da comunicação no que toca à sua ampla esfera de influência�.

Saturday, 18 November de 2006

População portuguesa “não tem conhecimento dos seus direitos�

As “Apresentações Temáticas� dominaram a tarde de 18 de Novembro no congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, organizado pela associação Rosa Azul. Temas variados foram sendo abordados, em Baião, por oradores com diferentes percursos profissionais.

Hugo Torres

Igualdade de género

“A maioria da população não tem conhecimento dos seus direitos�, afirmou a representante da Comissão para Igualdade e para os Direitos da Mulher (CIDM), Manuela Marinho. A sensibilização e a informação dos cidadãos é acção essencial para alterar este cenário.

A primeira desigualdade é a que existe entre homens e mulheres, afiançou. A encabeçar um projecto de 13 milhões de euros para a igualdade entre homens e mulheres, Manuela Marinho lembrou o carácter vanguardista da medida 4.4 do POEFDS (4.4.3.1 – Pequena Subvenção às ONGs) em Portugal. Não espera, no entanto, “que aconteça uma revolução�.

Equilibrar os papéis sociais entre homens e mulheres é o principal objectivo da CIDM. Reforçar a capacidade de participação das mulheres nas actividades económica e social e criar postos de trabalho em igualdade são algumas das metas. “O trabalho é uma área estruturante para a igualdade�, realçou.

Terrorismo e os media

A jornalista Andreia Marques Pereira aproveitou o espaço para falar sobre o terrorismo e os media e para expor os resultados da sua tese de mestrado sobre o 11 de Setembro na imprensa portuguesa. Arrancou lembrando que “o terrorismo não é um fenómeno contemporâneo�, mas secular.

Andreia Marques Pereira, que se licenciou na Universidade do Minho e fez mestrado na Universidade de Coimbra, recuperou as palavras do especialista norte-americano Brian Jenkins para prosseguir: “O terrorismo é um teatro�.  Pretende captar a atenção dos media e usa a violência pelo seu valor notícia. “Qualquer tipo de violência a seres humanos é de interesse público�, assinalou. Antes de falar do caso português, declarou que hoje os media “não são só narradores, mas participantes�, e que o papel de selecção dos editores está em jogo.

A jornalista destacou que o 11 de Setembro teve, na imprensa portuguesa, uma cobertura homogénea e a forte componente visual durante a primeira semana. Notícias, breves e infografias foram os géneros mais utilizados. Contextualizar e aprofundar os acontecimentos foram os principais objectivos da maior parte dos jornais. Particularizando: o Público e o Diário de Notícias deram mais importância à informação para as classes dirigentes e o Expresso, de tom neutro, não mencionou a perspectiva portuguesa.

Portugueses no mundo: Apontamentos de terreno

“Os portugueses que emigram são como os portugueses que moram cá dentro�, isto é, espelham diversidade, assegurou Ana Cristina Pereira, jornalista do Público, que trouxe ao congresso alguns apontamentos de terreno sobre a cobertura da emigração na imprensa generalista portuguesa. E o sucesso dos seus projectos migratórios lê-se na exacta medida dos seus sonhos.

Procurando uma visão mais prática da vida dos emigrantes portugueses, abordou as tendências da cobertura noticiosa e relatou algumas estórias, sobretudo, de mulheres portuguesas emigradas. Sobre os jornais das comunidades, assinalou que podem funcionar como fonte, central de contactos e ponto de suporte em matéria de informação acerca da diáspora.

Visão de fora

O historiador Flávio Borda d’�gua, “agitador� da comunidade portuguesa em Genebra, Suiça, trouxe a visão de um leitor de jornais portugueses residente no estrangeiro. Frisou que “os jornais portugueses têm importância, quer sejam lidos em Portugal ou noutro pais�. São “privilégio e mais-valia� para as populações lusófonas, “sobretudo para os jovens�.

O custo financeiro para se manter informado – e assim manter contacto com o país de origem – torna-se quase incomportável, defendeu. Borda d’�gua explicou que os custos das publicações portuguesas têm uma inflação de cerca de 200% naquela cidade, o que considera “inexplicável e proibitiva�.

A ComUM

O projecto académico ComUM Online foi apresentado pelo aluno de Comunicação Social da Universidade do Minho Victor Ferreira. A exposição e apresentação do portal finalizou a ordem de trabalhos, destacando a importância dos novos suportes para a comunicação social. O COMUM é um oficina para alunos de jornalismo. E permitem-lhe comunicar “para todo o mundo lusofalante�, funcionando especialmente como montra da Universidade do Minho.

Saturday, 18 November de 2006

“Alguns políticos não sabem ainda que há uma directora no Primeiro de Janeiro�

A directora do Jornal “O Primeiro de Janeiro�, Nassalete Miranda, esteve presente no Congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, desta feita no Auditório Municipal de Baião, inserida no debate “Portuguesas no Mundo e a Comunicação Social�

Por Alexandre Carvalho

@Helder Miranda


P. Quem é o culpado do notório desconhecimento que existe por parte da comunicação social nacional sobre as comunidades portuguesas no mundo?


R. Penso que não há culpas só de um lado, mas sim culpas repartidas, ou seja, a comunicação social especificamente portuguesa não tem conhecimento do que se passa nas comunidades, porque também as comunidades não nos transmitem as informações. Não estão criadas as pontes necessárias para isso acontecer. No 10 de Junho, os políticos lembram-se das comunidades e depois esquecem-se delas durante todo o ano. Os emigrantes têm um trabalho efectivamente fundamental na expansão da língua portuguesa. Acredito que existe uma falha na comunicação e admito que um maior intercâmbio entre as duas partes só seria benéfico. Eventos como este podem ser uma grande ajuda na resolução destes problemas.


P. Falou em Manuela Aguiar, que é considerada um ícone do que é uma portuguesa no mundo. Acha que o papel das mulheres deveria ter mais cobertura noticiosa?


R. Claro que sim. Ainda há muito preconceito e, mais do que isso, muito receio de que as mulheres se apoderem dos lugares [de chefia]. As mulheres apenas querem mostrar que podem desenvolver um trabalho de qualidade tão bom como os homens. Normalmente, os lugares de maior destaque pertencem aos homens e por isso são eles os protagonistas das notícias. Quem procura a noticia procura o responsável. Apesar de existirem muitas mulheres com cargos de importância, a verdade é que só se faz notícia com a pessoa de maior destaque. Os cargos secundários são deixados para segundo plano.


P. Ontem, neste mesmo congresso, Pedro Tadeu, director do jornal 24 horas, afirmou que o jornal que dirige era um tablóide e que por isso publicava mulheres semi-nuas. Como interpreta este comentário?


R. Eu tive imensa pena de não ter podido participar, teríamos tido guerra aberta, pois eu acho do menos informativo que pode haver ter notícias com mulheres nuas. Existem revistas especificamente para isso. O jornal 24 horas é um jornal onde se pratica uma informação generalista ou mais ligeira, um tipo de informação descartável. É mais do tipo: ler e deitar fora. O maior problema é que as pessoas querem e gostam desse tipo de informação e isso preocupa-me bastante.


Qual a sensação e quais as dificuldades que tem a única directora de um jornal diário em Portugal?


NM – É fascinante, porque as pessoas pensam que vão encontrar uma pessoa loira e estúpida e depois dão-se conta que afinal não é. Tenho um percurso académico e capacidade suficiente para liderar este projecto como qualquer homem. Alguns políticos não sabem ainda que há uma directora no Primeiro de Janeiro. Penso até que o senhor secretário de Estado [da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão] que esteve aqui presente é um deles, o que nem sequer me admira, pois acredito que existe ainda um preconceito enorme em relação a este assunto. Sinto-me confortável na minha posição. É uma minoria qualificada, mas uma minoria bem representada. No entanto, existe, sem sombra de dúvida, uma enorme pressão para se chegar à direcção de um jornal.

Saturday, 18 November de 2006

Edição do DN Madeira na Venezuela nasce no primeiro trimestre de 2007

Délia Meneses, chefe de redacção do Correio de Venezuela, desvenda os contornos da nova parceria entre o semanário que representa e o Diário de Noticias da Madeira.


Por Mariana Pinheiro

@Helder Miranda


P. Como surgiu e como funciona a parceria entre o Correio da Venezuela e o Diário de Notícias da Madeira?


R. O jornal “Correio de Venezuela� surgiu em 1999, mas só em 2001 é que começou a trabalhar em parceria com o Diário de Notícias (DN). Nasceu por causa da grande expressão da comunidade portuguesa na Venezuela. Esta cooperação está baseada num apoio logístico e editorial.


Para nós é difícil conseguir jornalistas que escrevam e falem em português correcto. Há uma grande falta de professores para ensinar a língua portuguesa. A solução encontrada foi estabelecer uma ligação com o DN da Madeira. Os nossos jornalistas venezuelanos escrevem as peças em espanhol, os textos são enviados via e-mail e, posteriormente, corrigidos e traduzidos pelos profissionais portugueses que nos reenviam as peças novamente. O jornal é paginado na Venezuela.


P. O público-alvo do jornal é apenas a comunidade portuguesa residente na Venezuela? Qual é a receptividade do jornal?


R. O nosso interesse é que nos leiam os portugueses e os filhos dos portugueses que vivem na Venezuela. No entanto, assistimos a um crescente interesse por parte de um público que tem como objectivo ir trabalhar para o Brasil. Este público utiliza o Correio da Venezuela para aprender a língua portuguesa.


O jornal tem tido uma receptividade muito boa junto da comunidade lusa e, sinal disso, é o crescente interesse das pessoas por este meio de comunicação. O jornal não tem concorrência. E tem, neste momento, uma tiragem de 15 mil exemplares. Está em expansão e há um mês adquirimos novas instalações.


O Correio da Venezuela dividiu-se em departamentos, criou um departamento publicitário e contratou um director executivo da Madeira para ajudar na gestão, com o intuito de melhorar a organização do jornal. Estamos a contratar mais gente. Este é um processo de profissionalização do jornal.


P: Que assuntos fazem parte da agenda? Os temas abordados são apenas relativos às comunidades portuguesas?


R: Abordamos tudo o que está relacionado com os portugueses. Actividades desenvolvidas pelos grupos sociais e culturais, exposições e espectáculos, por exemplo, constam da agenda. Não abordamos política no jornal; este é um dos critérios editoriais. Damos privilégio ao desporto e à cultura.


@Helder Miranda


P:
A parceria entre o Correio da Venezuela e o DN da Madeira tem vindo a dar frutos, um deles é o surgimento de uma publicação diária. Que projecto é esse?

R: É o lançamento local do DN da Madeira, uma edição bilíngue, em português e espanhol, que chegará às bancas, provavelmente, no primeiro trimestre de 2007. O [novo] diário abordará apenas notícias importantes e será centralizado no Correio da Venezuela. Vamos aproveitar a necessidade de informação que as comunidades de luso-descendentes têm e satisfazê-la.


A comunidade portuguesa mostrou-se bastante interessada em ter uma publicação diária com informação que lhes interessa. Fizemos inquéritos a sondar qual seria o nível de aceitação da publicação. A empresa quer apostar numa comunidade que está inserida num país marcado por uma instabilidade política e económica muito grande.

Saturday, 18 November de 2006

Governo deve fazer com que emigrantes “tenham completas condições de cidadania�

Hélder Beja

@Helder Miranda

O Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, sublinhou esta manhã, 18 de Novembro, em Baião, as responsabilidades do Governo em «fazer com que os portugueses residentes nos estrangeiros tenham completas condições de cidadania» nos países de acolhimento.

Não são só os emigrantes. «Os descendentes de portugueses têm também que ser tidos em consideração», afirma Jorge Lacão, acrescentando que «a ideia de uma igualdade de cidadania europeia é algo em que Portugal deve apostar para valorizar as comunidades emigrantes».

O secretário de Estado fez aquilo a que chamou “uma reflexão em voz alta”. Disse que “a nossa condição de país de diásporas” marca a identidade nacional. E que este deve ser ”um elemento de maior importância nas relações internacionais portuguesas”. E classificou a promoção da língua portuguesa como “desígnio nacional estratégico”.

Na sua opinião, importa reflectir sobre a ligação entre os portugueses residentes em Portugal e os portugueses residentes no estrangeiro. “Não devemos cair na tentação de olhar para esta ligação de forma saudosista, devemos ter uma perspectiva actual e com exigência de futuro”, declarou.

Na reabertura do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo�, o representante do Governo realçou a «importância da comunicação social como elemento fundamental na percepção recíproca das diferentes culturas». O congresso organizado pela Rosa Azul tem, para Lacão, «uma enorme importância», na medida em que possibilita que portugueses de várias partes do mundo «possam estabelecer comunicação, trocar experiências e, quem sabe, fomentar iniciativas sociais e até económicas».

O Secretário de Estado reiterou também um reforço do combate ao tráfico de seres humanos. Jorge Lacão destacou o problema da prostituição e referiu que o Executivo deseja «criar um Observatório que permita conhecer mais de perto» a questão do tráfico de pessoas em Portugal.

Saturday, 18 November de 2006

«O universo jornalístico gira em torno do masculino»

Hélder Beja

@Helder Miranda

A directora do jornal “O Primeiro de Janeiro�, Nassalete Miranda – «única» mulher líder de um projecto editorial em Portugal – considera que «o género [feminino] está representado no jornalismo, mas sem expressão. Porque os homens continuam a deter o maior número de lugares directivos». «O universo jornalístico gira em torno do masculino, mas eu não sou feminista. Uma escrita somente dirigida a um dos géneros não me diz absolutamente nada», acrescenta.

Oradora do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo�, organizado pela associação Rosa Azul, a responsável por aquele jornal da região norte teceu ainda comentários em relação ao tratamento dado à emigração na comunicação social. Nassalete alertou para «a falta de conhecimento sobre o que os emigrantes fazem», o que leva a que «a velha história do coitadinho seja a que infelizmente continua a vender».

A jornalista lamenta que o público dê preferência ao «lado negro da vida»: «Os portugueses no mundo não costumam ser alvo de notícia, a não ser por algum assunto que tenha contornos trágicos».

A chefe de redacção do “Correio da Venezuela�, Delia Menezes, contou que, na comunidade portuguesa radicada naquele país, as mulheres não podiam até há dois anos presidir aos Centros Sociais que esta mantém. Isto por causa dos estatutos. Com uma redacção composta por 80% de mulheres, a jornalista afirmou que na Venezuela as mulheres quem, nas associações ou no jornal, “dinamizam» a comunidade emigrante.

No painel de esta manhã, 18 de Novembro, marcou ainda presença o director da revista Vida Lusa (França).  António Cardoso falou sobre a revista na qual apenas escrevem mulheres e que tem 80 por cento de assinantes mulheres. E subscreveu a necessidade de «valorizar o papel do sexo feminino» nas sociedades.

Friday, 17 November de 2006

Uso de porte-pago por imprensa da diáspora “é uma engenharia financeira�

O Secretário de Estado das Comunidades, António Braga, desdramatizou corte, em Braga, no fim do Congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo

Por Alexandre Carvalho

©Ricardo Lamego


“A esmagadora maioria [dos jornais das comunidades] não depende de subsídios�, sustentou o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, no encerramento do primeiro dia de trabalhos do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo�, organizado pela Associação Rosa Azul em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e com a Câmara Municipal de Baião.


O Governante fez o elogio da diáspora, acusou a RTPI de “não cumprir integralmente” a sua tarefa de serviço público e procurou desdramatizar um assunto polémico levantado pelos oradores que o antecederam: Os cortes previstos no porte-pago, que afectarão alguns jornais feitos por e para portugueses residentes no estrangeiro. Dando como bons exemplos o Luso Jornal (França), o Correio de Venezuela e O Século de Joanesburgo (Ã?frica do Sul), que tem até uma gráfica, garantiu: “A esmagadora maioria não depende de subsídiosâ€?.


 O único apoio directo do Estado aos órgãos de comunicação social das comunidades é uma assinatura da Agência Lusa. António Braga defendeu que fazer um jornal no estrangeiro e imprimi-lo em Portugal, beneficiando do porte-pago para chegar aos leitores, é “uma engenharia financeira�. 


O secretário de Estado reconheceu que a medida afectará a imprensa regional e local que, até agora, chegava por correio aos emigrantes. O Estado deixa de comparticipar o envio destes jornais para o estrangeiro, mas cria um portal no qual as suas versões digitais podem ficar alojadas, disse.


P. Que papel desempenham os meios de comunicação social portugueses no estrangeiro na difusão da língua portuguesa?


R. A meu ver, os meios de comunicação ajudam a consolidar os vínculos de pertença que os emigrantes portugueses gostam e fazem por manter. E, sem sombra de dúvida, ajudam a consolidar e a divulgar a língua portuguesa.


P. Com os cortes no porte pago previstos no Orçamento de Estado, o que pode acontecer aos jornais da diáspora?


R. Continuarão bem, porque o porte-pago não se aplica aos jornais que se editam nas comunidades portuguesas. O porte-pago dirige-se aos jornais que, sendo editados em Portugal, são enviados para as comunidades portuguesas. Portanto, desse ponto de vista não há nenhuma consequência. O que acontecerá é que os assinantes começarão a pagar a assinatura do jornal com o porte respectivo.


@Helder Miranda


P.  Alguns terão problemas para se manterem sem o porto-pago. O Gazeta Lusófona é um exemplo disso. O que acha desta situação?


R. A Gazeta Lusófona, como tive ocasião de referir no congresso, faz engenharia financeira relativamente à política do porte pago, pois é feito na Suiça e é posteriormente enviado para Portugal [onde é impresso], somente para usufruir do porte pago quando é remetido novamente para a Suiça. Por isso, creio que não é genuinamente uma questão que tenha a ver concretamente com o que estamos a falar. Um jornal concebido e editado nas comunidades não usufrui do porte pago. E, como sabemos, é uma imprensa com bastante vitalidade.

Friday, 17 November de 2006

Cortes no porte-pago ameaçam alguns jornais da diáspora

A diversidade da imprensa da diáspora ficou patente no terceiro painel do congresso “Comunicação Social e os Portugueses no Mundo� alertaram

Phillipe Vieira

@Helder Miranda

Os cortes no porte-pago, já anunciados pelo Governo, irão afectar os jornais das comunidades portuguesas impressos em Portugal e remetidos para o estrangeiro. O director da Gazeta Lusófona, Adelino Sá, avisa que caso tal medida vá avante fechará o seu jornal, mas fá-lo-á de “cabeça levantada�.

O assunto foi hoje, dia 17 de Novembro, levantado em Braga, no congresso “Comunicação Social das Comunidades Portuguesas”, organizado pela associação Rosa Azul, em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (UM) e com a Câmara Municipal de Baião. O director da Gazeta Lusófona (Suíça) foi incisivo nas críticas ao modo como a governação central trata os emigrantes.

A Gazeta Lusófona substitui várias vezes o Governo no papel de disseminação da informação de particular importância para os portugueses emigrados, sustentou. Mas “as pessoas [residentes em Portugal] não conhecem� a realidade dos órgãos de comunicação social da diáspora: “Não estão por dentro daquilo que fazemos�.

Aproveitando a entrada do Secretário de Estado das Comunidades, António Braga, que iria encerrar o primeiro dia do congresso, Adelino Sá criticou os cortes anunciados no porte-pago (o Estado comparticipa as despesas da distribuição por correio de jornais impressos em Portugal e enviados para o estrangeiro). No seu entender, é “lamentável� que o Governo nunca tenha encomendado um estudo de análise da importância que os jornais das comunidades portuguesas têm.

Não se sabe ao certo quantos jornais – como o Gazeta Lusófona, que é escrito na Suíça, impresso em Portugal e remetido para a Suíça – serão afectados por esta medida. Orgulhoso do seu papel, enquanto responsável por um jornal de parcos meios, Adelino Sá avisou que se o corte se concretizar no início de 2007, como está previsto, poderá fechar o Gazeta. Mas, frisou, “de cabeça levantada�.

Quando nasceu, em 1970, no seio da associação “Amizades Portugal-Luxemburgo�, o Contacto também era impresso em Portugal e “essencialmente distribuído por voluntários� no Luxemburgo, explicou o director, José Luís Correia. Em 1987, passou para as mãos do grupo Saint-Paul, o maior e mais antigo grupo media do Luxemburgo. Hoje “é lido 11 por cento da população total, o que faz dele o 5° título mais lido entre os semanários luxemburgueses e o 6° se forem considerados no seu conjunto os títulos semanais e diários�.

Na opinião de José Luís Correia, o sucesso do semanário deve-se à sua ligação à informação prática referente ao quotidiano da população. “O Contacto dedica, actualmente, cerca de 80 por cento do seu espaço redacional a notícias do Luxemburgo, redigidas em português�.O objectivo não é, pois, prestar informação sobre Portugal, área que José Luís Correia considera já coberta por órgão de comunicação social como a RTPI. É antes “favorecer a Europa dos cidadãos e contribuir para a integração da comunidade lusófona na sociedade luxemburguesa�.

Uma lógica distinta da do Luso Jornal belga e do Luso Jornal França, ambos dirigidos por Carlos Pereira. Estas publicações, de distribuição gratuíta, procuram, sobretudo, informar os portugueses residentes na Bélgica ou na França acerca das comunidades radicadas naqueles países. Há uma busca permanente por protagonistas da comunidade e uma atenção especial às políticas portuguesas de emigração.

Durante o congresso, Carlos Pereira contou que houve um aceso debate interno na hora de decidir em que língua deveriam ser escritos os jornais que dirige. A equipa acabou por decidir editar em Português o noticiário que, eventualmente, interessa mais à primeira geração de portugueses e em Francês a que interessará mais aos luso-descendentes. Na esperança, ainda assim, dos luso-descendentes irem aproveitando para treinar um pouco Português.

A questão tem sido alvo de debate em vários órgãos de comunicação social existentes em países onde há portugueses há muito instalados, como a França ou os Estados Unidos. Tudo porque os luso-descendentes tendem a perder a língua de origem. O Correio de Venezuela (como o Contaco ou o Gazeta Lusófona) publica todos os seus conteúdos em Português. O semanário assume-se como um meio de preservação da língua, da cultura e da identidade lusa.

Num congresso marcado pela presença de representantes de meios de comunicação social afectos a diferentes comunidades portuguesas, a participação da chefe de redacção do Correio de Venezuela, Délia Meneses, trouxe a experiência das parcerias com órgãos de comunicação de Portugal.

Délia Menezes sublinhou que o jornal nasceu amador e se profissionalizou ao aliar-se ao Diário de Notícias da Madeira. Sendo a Venezuela um país de forte presença de madeirenses, a conjugação de esforços resulta numa dupla proximidade: os madeirenses residentes na Venezuela têm informação sobre a Madeira, os luso-venezuelanos residentes na Madeira têm informação sobre a Venezuela.

Segundo a mesma responsável, o Correio de Venezuela oferece notícias nacionais (Venezuela e Portugal) e notícias que dizem exclusivamente respeito à comunidade lusófona local, constituída por cerca de 500 mil portugueses. O jornal, que começou por ser mensal, passou para o formato quinzenal e agora apresenta-se como um semanário. O “sucesso� da parceria com o DNM é tal que o diário sediado no Funchal pensa lançar em Caracas uma publicação local.

Foi este o painel que encerrou o primeiro dia de debates acerca da comunicação social e os portugueses no mundo. No seguimento do que foi sendo aventado nos debates anteriores, persistiu a ideia de uma falta de acompanhamento e ajuda por parte da Administração Central para com as diversas comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo.

Friday, 17 November de 2006

24 horas interessado em repetir fórmula dos EUA

O Director do jornal 24 Horas, Pedro Tadeu, trouxe a experiência da expansão aos EUA, no Congresso Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, em Braga

Por Alexandre Carvalho

@Helder Miranda

P. O jornal 24 Horas tem uma edição diferenciada nos EUA. Qual é o volume de vendas?

R. São 5000 exemplares diários. Temos que ter em atenção que a comunidade emigrante portuguesa é composta por 4 milhões de pessoas, mas está muito estratificada e separada por distâncias enormes. O jornal é distribuído por toda a América e uma parte do Canadá. Chegar a 5000 pessoas é um resultado fantástico. Isto significa chegar à casa de 5000 família compostas em média por quatro elementos, o que no final de contas é uma grande divulgação do jornal no estrangeiro.

P. Se a zona de abrangência é assim tão grande, e se a adesão é positiva, porque não apostar em iniciativas do género noutros países?

R – Será sempre necessário existir alguém no local a introduzir e a implementar o jornal na zona para ser viável. Nós já fizemos a experiência na Europa, e exportar o jornal, tal como ele é feito para outros países sem qualquer bonificação é impossível, pois as pessoas não se interessam por ele.
Elaborar um jornal no qual uma parte de noticiário é feita em Portugal e outra é feita localmente poderá ser uma ideia interessante, mas isso implica um investimento que as empresas têm medo de fazer por temerem que as coisas corram mal. Se esta fórmula do modelo do jornal 24 horas nos EUA for repetida, nós estamos muito interessados nela.

A iniciativa local é então um dos grandes motores para a expansão dos jornais portugueses no estrangeiro?

PT – Na minha opinião é essencial. Essa iniciativa denota que as pessoas no local de emigração têm noção que existem leitores suficientes para tornar o projecto viável. Este método também permite que se construa o jornal a pensar nos seus leitores, não é limitar-se a importar um jornal que é pensado em Lisboa e que em nada tem a ver com o que as pessoas lá sentem.

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