RTPI repensou a grelha e passou a transmitir noticiários em directo de acordo com diferentes fusos horários
Hugo Torres
Os portugueses que vivem no estrangeiros terão, já a partir do próximo dia 25 de Novembro, um novo canal de televisão em lÃngua portuguesa: o CLPTV, que emitirá a partir de França para toda a Europa. É a primeira iniciativa deste género dentro das comunidades portuguesa espaladas pelo velho continente.
O projecto foi hoje, dia 17 de Novembro, apresentado por António Cardoso, da direcção do canal, em Braga, no Congresso a Comunicação Social e os Portugueses no Mundo, organizado pela Associação Rosa Azul, em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (UM) e com a Câmara de Baião.
O canal, financiado por cerca de duas dezenas de empresários portugueses, pretende ser diferente dos canais portugueses que emitem a partir de Portugal para o estrangeiro. A CPLTV ambiciona ser um complemento a canais como a RTPI e a SICI, que, no entender de António Cardoso, oferecem uma visão de Portugal para o mundo. A ideia central é «manter a ligação [das comunidades portuguesa] com a cultura [portuguesa]», dando a perspectiva de quem vive fora, explicou.
Projecto para a lusofonia, o canal chega primeiro à Europa este mês Novembro e deverá estende-se em Fevereiro para �frica. António Cardoso, que também dirige a revista Vida Lusa, fez questão de demonstrar a importância da UM para o projecto, já que grande parte das candidaturas apresentadas para os quadros chegaram deste estabelecimento de ensino.
A Comunicação Social portuguesa tem ainda margem de progressão para fortalecer as pontes entre Portugal e as comunidades lusófonas no estrangeiro. Esta foi a ideia lançada pelo jornalista Pedro Cruz (SIC), no painel “Impactos Imediatos: Televisão, Rádio e Agências Noticiosas�.
Lembrando que «há uma distância entre fazer e fazer bem», Pedro Cruz satirizou o tratamento da informação feito pelas televisões generalistas: «Nós tratamos mal as comunidades, como tratamos mal tudo o resto». Afirmou ainda que «as comunidades são muito importantes», mas «é preciso achar o equilÃbrio, o que interessa a mais gente». Ressalvou, no entanto, as potencialidades comerciais que as comunidades representam.
O responsável pelos destinos da RTP Internacional, Lopes Araújo, que em dois anos conseguiu fazer chegar o canal público a todo o mundo em sinal aberto, explicou a evolução do canal estatal. E salientou que a opção de emitir a nÃvel global não pretende demonstrar riqueza ou megalomania, mas aconteceu porque «os portugueses estão em todo o mundo».
O canal repensou há pouco tempo a sua programação e diferenciou os seus conteúdos de acordo com os diversos fusos horários. Os noticiários são aproveitados da RTP1 e da RTPN e transmitidos em directo. Conteúdos produzidos nas localidades onde as comunidades portuguesas habitam são considerados essenciais, já que «a RTPI só tem sentido se for um factor de representação», sublinhou o dirigente.
Em jeito de conclusão, Lopes Araújo adiantou ainda que em Dezembro a RTPI terá na sua grelha um curso de lÃngua portuguesa, com os jovens por público-alvo. Esta iniciativa, com modelo importado da BBC, é «muito importante para a preservação da lÃngua».
Por sua vez, Pedro Sousa Pereira, da Agência Lusa, lembrou que «as comunidades portuguesas ajudam a ler o mundo». «É necessário ver os acontecimentos através dos olhos dos portugueses». A Lusa funciona como fonte de informação sobre Portugal para os órgãos de comunicação social das comunidades e como fonte de informação das comunidades para os órgãos de comunicação social de Portugal. O jornalista lamentou que só acidentes de graves dimensões ou grandes eventos consigam entrar no alinhamento dos media portugueses.